Recentemente, a terapeuta ocupacional Daiana Nascimento compartilhou sua experiência com a mola gestacional, uma condição que pode surpreender muitas mulheres. Após descobrir sua gravidez, Daiana rapidamente enfrentou a dura realidade de um diagnóstico de câncer de placenta, resultante de uma gestação que não se desenvolveu como esperado.
O que é a mola gestacional?
A mola gestacional é uma doença trofoblástica que ocorre devido a uma anomalia na fertilização. Nos casos de mola incompleta, ocorre a fecundação de um óvulo normal por um espermatozóide com DNA duplicado ou por dois espermatozóides, gerando uma placenta defeituosa e um embrião com anomalias. Na mola completa, um óvulo sem DNA é fertilizado, resultando apenas em uma placenta anormal. Em ambas as situações, a gestação deve ser interrompida para evitar complicações, como sangramentos e alterações hormonais.
Risco de câncer de placenta
A evolução mais preocupante da mola gestacional é o câncer de placenta, que pode surgir quando células da mola se instalam no útero. Essa transformação é mais comum em mulheres com mola completa, onde cerca de 20% desenvolvem a doença maligna. O professor Antônio Braga, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca que a incidência é de uma a cada 200 a 400 mulheres grávidas no Brasil, comparado a taxas menores em outros países, como os EUA e a Inglaterra.
Diagnóstico e acompanhamento
O diagnóstico da mola geralmente ocorre durante exames de ultrassom, após a confirmação da gravidez. A maioria das mulheres nunca ouviu falar sobre essa condição antes de receber o diagnóstico. O ambulatório de Doença Trofoblástica Gestacional da UFRJ atende cerca de 80 pacientes semanalmente, tornando-se um importante centro de referência no tratamento da mola.
O tratamento inicial envolve a remoção da mola por meio de aspiração uterina, seguido de um acompanhamento rigoroso para monitorar os níveis de HCG, um hormônio que pode indicar a presença de células cancerígenas. O professor Braga explica que o diagnóstico de câncer não é realizado por biópsia, mas sim pela análise dos níveis hormonais.
Impacto emocional e suporte psicológico
O diagnóstico de mola gestacional e a subsequente possibilidade de câncer trazem uma carga emocional significativa para as pacientes e suas famílias. A terapeuta Daiana e seu marido, Lucas Felipe, ressaltam a importância do apoio emocional durante o tratamento, que inclui não apenas o suporte familiar, mas também o acolhimento oferecido pelos profissionais de saúde.
Mônica Rosa do Amaral Pelizari, outra paciente que enfrentou a mola, compartilha que, apesar do medo inicial, o suporte da família e da equipe médica foi fundamental para sua recuperação. Após o tratamento, ela ainda realiza consultas regulares para monitorar sua saúde.
Desafios logísticos e financeiros
As pacientes enfrentam desafios logísticos significativos, especialmente aquelas que precisam viajar longas distâncias para tratamento. Daiana, que vive em São Pedro da Aldeia, precisou utilizar transporte médico e, recentemente, descobriu que tinha direito à gratuidade em ônibus intermunicipais, facilitando suas idas às consultas.
Conforme a médica Gabriela Paiva, é essencial que as mulheres afetadas pela mola recebam apoio contínuo, não apenas no tratamento médico, mas também em aspectos sociais e emocionais. A jornada é longa e muitas vezes cansativa, mas o suporte mútuo entre pacientes pode ser um importante fator de encorajamento.
Ao final, Daiana expressa esperança em poder engravidar novamente, um sonho adiado, mas não esquecido. O tratamento eficaz e o suporte adequado podem proporcionar um futuro mais positivo para mulheres que enfrentam os desafios da mola gestacional e suas consequências.






