A Argentina, atual campeã mundial, se prepara para enfrentar a Inglaterra em uma semifinal histórica da Copa do Mundo, marcada para esta quarta-feira (15) em Atlanta. O sonho do tetra título está vivo, e os jogadores buscam repetir feitos raros, como os conquistados pela Itália e Brasil em Copas passadas.
Essa trajetória impressionante contrasta com o passado recente da seleção, que passou quase 30 anos sem conquistas significativas. Para entender essa transformação, é essencial relembrar a Copa do Mundo de 2018 na Rússia e a Copa América de 2019 no Brasil, momentos que moldaram o futuro da equipe.
A Decepção na Copa do Mundo de 2018
A participação da Argentina no Mundial de 2018 foi marcada por frustrações, tanto em campo quanto fora dele. A equipe teve uma fase de grupos desastrosa, que incluiu um empate com a Islândia, no qual Lionel Messi perdeu um pênalti, e uma derrota contundente para a Croácia, por 3 a 0, que expôs falhas no sistema defensivo e na liderança.
Após a derrota para os croatas, o ambiente no time ficou tenso. De acordo com relatos, um motim liderado por Messi e Javier Mascherano desafiou o técnico Jorge Sampaoli, pedindo mais participação nas decisões. A vitória contra a Nigéria por 2 a 1 garantiu a continuidade da seleção, mas a eliminação nas oitavas de final para a França, por 4 a 3, frustrou mais uma vez os sonhos de um terceiro título.
Transição e Novo Ciclo com Scaloni
Após a saída de Sampaoli, a Argentina enfrentou um período de incerteza. O novo ciclo começou com Lionel Scaloni e Pablo Aimar como interinos, ambos com experiência na seleção sub-20. Scaloni, que foi alvo de críticas devido à falta de experiência, acabou sendo efetivado, e sua gestão seria fundamental para a mudança de mentalidade da equipe.
Em 2019, durante a Copa América, a seleção contava com apenas 10 jogadores remanescentes da Copa de 2018. A competição, no entanto, começou de forma desastrosa, com uma derrota para a Colômbia e um empate contra o Paraguai. Apesar das dificuldades, a Argentina avançou para as quartas de final, onde enfrentou o Brasil e foi eliminada em um jogo polêmico, em que Messi criticou a arbitragem, surpreendendo muitos pela sua postura mais assertiva.
O Reconhecimento e a Persistência
Apesar de não ter conquistado o título em 2019, Scaloni permaneceu como técnico, e a união do grupo se fortaleceu. “Este grupo pode mais e dará muito mais frutos”, afirmou o treinador após a competição. E ele estava certo.
A Glória na Copa América de 2021
Dois anos depois, a seleção argentina voltou à Copa América, desta vez, em uma nova fase. Com uma equipe mais entrosada, a Argentina conquistou seu primeiro título desde 1993. O gol decisivo de Ángel Di Maria, no Maracanã, simbolizou não apenas a vitória, mas também a transformação do time e a primeira conquista de Messi com a seleção principal.
A nova “Albiceleste”, carinhosamente apelidada de “Scaloneta”, trouxe um equilíbrio entre juventude e experiência, com jogadores como Dibu Martínez e Nahuel Molina se destacando em suas posições. O meio-campo, liderado por De Paul e Paredes, permitiu que Messi focasse em sua função ofensiva, resultando em um desempenho impressionante.
A Transformação de Messi
Os números refletem essa evolução: antes de 2019, Messi tinha uma média de 0,51 gols por jogo. Desde então, ele marcou 60 gols em 71 partidas, aumentando sua média para 0,84, além de conquistar quatro títulos importantes, incluindo a Copa do Mundo de 2022.
A nova mentalidade da equipe ficou evidente no Mundial do Catar, onde, mesmo após uma inesperada derrota para a Arábia Saudita, a Argentina se uniu e avançou até a final, onde conquistou o título. Messi, que havia considerado se afastar da seleção após fracassos anteriores, agora era o líder que todos esperavam.
Conclusão: A Caminho de Novas Conquistas
Com uma nova perspectiva e um espírito de união, a “Scaloneta” não apenas mudou a trajetória da seleção argentina, mas também a de Lionel Messi, que finalmente encontrou seu lugar como líder e campeão. Agora, os argentinos buscam mais um título, sonhando em repetir a dose e consolidar sua força no cenário internacional do futebol.






